Anabela Reis Moreira

Dia Mundial das Artes: somos (quase) todos artistas

Hoje é dia Mundial das Artes.

Sabe quem me conhece como tenho uma devoção às artes em geral e a alguns artistas em particular: tornam tudo muito melhor.

Ouvimos muitas vezes falar sobre a “Sétima Arte”, ou seja, o cinema, mas pouco sabemos sobre as restantes artes.

Hoje, ouço pessoas chamar arte a algumas ciências e ciência a algumas artes. E está certo.

Começou pela arte, pela emoção, pela necessidade de expressão. Depois veio a ciência provar que a arte é a melhor forma de viver com criatividade, de viver emocionalmente expressivo, de viver e comunicar com mais expressão. Seja a forma de comunicação que for. Arte é comunicação.

Penso muitas vezes nos vários artistas sem palco que o mundo devia conhecer e vêm-me logo a cabeça o nome de alguns amigos meus. Mas a síndrome do impostor numa sociedade que ela sim é impostora, impede pessoas boas, válidas e criativas de singrarem e viverem da arte.

Nessa mesma sociedade, dizem-nos que ser pintor ou escultor não é profissão de gente e que devemos escolher ser técnicos, cientistas. Nunca artistas.

Mas sabem o que é bom? É que nós somos a sociedade, nós todos, 7.8 biliões de humanos, e que pessoa a pessoa podemos mudar e reverter. Espero estar a dar a minha contribuição para um dia o meu filho, caso queira, caso tenha vocação, possa viver bem como artista.

Numeração clássica das artes

Já referi que o termo mais comum de ouvir é a “Sétima Arte” para designar o cinema. Foi estabelecido por Ricciotto Canudo no “Manifesto das Sete Artes” em 1912 (publicado apenas em 1923).

Mas antes da sétima, há 6. Sabe quais são?

Sem ordem de valor, ou seja, sem ordem de importância, porque todas são igualmente importantes, temos esta catalogação (adotamos catalogar: dar números às portas, nomes às ruas, preconceitos aos outros (rótulos) – mas precisamos, porque como organizaríamos as gavetas e estantes da memória?):

1ª Arte – Artes sonoras (som)

2ª Arte – Artes cénicas (movimento)

3ª Arte – Pintura (cor)

4ª Arte – Escultura (volume)

5ª Arte – Arquitetura (espaço)

6ª Arte – Literatura (palavra)

7ª Arte – Artes audiovisuais (Audiovisual)

Depois da Sétima, as artes continuam e a 8ª arte é uma pela qual tenho especial atenção e apreço, já que é intuitiva ao entendimento do espectador leigo:

8ª Arte – Fotografia (imagem)

9ª Arte – Banda-desenhada (cor, palavra, imagem)

10ª Arte – Jogos de Vídeo (integra os elementos de outras artes adicionando a interatividade)

11ª Arte – Arte digital (integra artes gráficas digitais 2D, 3D e programação).

Para mim também são arte…

Há quem aponte também a culinária como arte. E confesso que é. Mistura ciência, pesos e medidas, com química. E arte, muita arte. Muitas emoções e sensações também.

Aprecio muito as artes gráficas e em geral os artistas gráficos: e como nos enchem de comunicação (cultural, corporativa) e cor. Como nos identificam perante um mundo que é predominantemente visual. Eu tenho especial afeição por esta arte.

Outra arte é a moda e o design de moda. É uma necessidade o vestir e o calçar que ascendeu à definição de um status social e depois disso a uma forma de estar a de viver. Depois, a um preconceito do que é aceite e não aceite. Aprecio muito a moda, as cores e as tendências. Sou muito leiga nesta arte, no entanto.

Para mim uma das formas mais supremas de arte (e repito: para mim, no meu conceito, no que vejo das artes -subjetivo por isso) é a tatuagem. Tatuar uma “tela” que não permite correções, o corpo, é sem dúvida das maiores formas de arte (mais sensíveis e mais bonitas também).

Na arte como profissão há um altruísmo que não encontramos em mais nenhum trabalho

Há na arte um dar, um partilhar, um entregar parte de nós, que nos expõe, que nos mete mais vulneráveis, que não há em mais profissão nenhuma. Sou Gestora de Recursos Humanos e por isso sei do que falo.

Há um legado na arte que não encontramos nas profissões técnicas. Há na arte uma pedagogia pela empatia, que não há em mais nenhuma expressão de comunicação.

Não falo da arte como ego, ou do ego como artefacto de futuro. Falo da arte sentida, expressa, concebida, que vê a luz do dia pelos sentidos de quem a cria.

Porque a arte é a expressão da emoção travada no coração.

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