E se um diretor de recursos humanos vos contactasse para revelar dados pessoais de uma ex-colaboradora?
Faço esta pergunta porque me aconteceu algo que, sinceramente, nunca pensei viver.
Não conheço a pessoa em causa. Nunca trabalhei com ela. Nunca tive qualquer relação profissional ou pessoal com ela. Nem conhecia.
E, ainda assim, fui contactada por um Diretor de Recursos Humanos para corrigir uma informação relacionada com uma antiga colaboradora da sua empresa.
Até aqui, nada de extraordinário. Todos cometemos erros. Eu própria, se interpretar incorretamente uma função ou um cargo, agradeço que me corrijam. E na verdade foi o que aconteceu! Interpretei eu mal a situação.
Tenho feito muitos background checks ultimamente (a minha equipa) mas não foi o caso. Foi eu ter errado, apresentado uma pessoa como Diretora de RH de uma empresa e este senhor entender que “ele é que é o presidente da junta”.
O problema começou depois. Porque a correção rapidamente deixou de ser sobre a função. Passou a ser sobre a pessoa.
Sem que eu tivesse perguntado. Sem que tivesse solicitado qualquer esclarecimento. Sem que existisse qualquer necessidade para o efeito. Começaram a surgir referências a licenças de maternidade, períodos de ausência, licenças sem vencimento e outros aspetos da vida profissional e pessoal da ex-colaboradora.
E foi nesse momento que deixei de pensar no caso concreto. Passei a pensar noutra coisa: se alguém que ocupa uma função de direção em Recursos Humanos considera normal partilhar este tipo de informação com uma pessoa totalmente externa à organização, que não conhece, o que é que isso nos diz sobre a forma como encara a confidencialidade?
O que é que isso nos diz sobre a proteção dos trabalhadores?
O que é que isso nos diz sobre a confiança que qualquer colaborador deve poder depositar na área que, teoricamente, existe para proteger a integridade dos processos e das pessoas?
A questão nem sequer é jurídica. É ética. Porque a maioria das organizações tem políticas, códigos de conduta, manuais de compliance e apresentações sobre valores. Mas a verdadeira cultura revela-se quando alguém tem acesso a informação sensível.
É nesse momento que percebemos se a confidencialidade é um princípio ou apenas uma palavra bonita num PowerPoint que não consegue competir com o ego inflamado deste DRH por exemplo.
Se isto vos acontecesse, o que fariam?
Ignoravam? Consideravam normal?
Ou entenderiam que existe uma linha que nunca deveria ser ultrapassada, independentemente do cargo, do contexto ou do ego de quem a atravessa?



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